DicasDicas


Um breve histórico das dinâmicas de grupo

por Camila Micheletti

A dinâmica de grupo, como forma de brincadeiras lúdicas e jogos sem pretensão de analisar aspectos comportamentais, surgiu bem antes de haver qualquer menção à estrutura organizacional das empresas e sociedade. No início de tudo o termo "dinâmica de grupo" não era utilizado. "Em Recursos Humanos lutamos, inclusive, para dissociar a palavra "brincadeira" do conteúdo técnico, pois é uma das imagens distorcidas do instrumento", afirma Izabel Failde, psicóloga, consultora em RH e especialista em Dinâmica de Grupo do Empregos.com.br.

Tudo começou no período paleolítico, com as ingênuas brincadeiras das crianças. Izabel conta que nesta fase já existem registros de desenhos nas cavernas, provavelmente retratando as guerras entre as tribos ou lutas com os animais (para subsistência). As crianças, posteriormente, imitavam os pais utilizando as armas na simulação de brincadeiras de guerra. Neste período já há impressões arqueológicas de que eles tinham consciência do jogo, usando uma bexiga de animal como bola, por exemplo. Na Idade Média, surge a idéia da simulação de situações. Os pagens simulavam uma "guerra" com as crianças, fazendo uso de arco-e-flexa e de jogos como "cabo de guerra". Nesta época já há inclusive a idéia de ganho e perda que um jogo pode causar.

Mais tarde, já na época industrial, em 1933, foi realizada uma pesquisa para verificar se o estresse e as condições estruturais das fábricas influíam no trabalho dos operários. A investigação provou que as condições de trabalho, extremamente precárias, prejudicavam e causavam fadiga nos funcionários. Com algumas melhorias, como uma iluminação adequada, os trabalhadores tiveram uma significativa melhora na performance. "Desde então foi provado que os fatores externos prejudicam na dinâmica dos grupos", diz Izabel.

O conceito de dinâmica de grupo como o conhecemos hoje surgiu entre 1935 e 1955. Em Psicologia Social, o grupo é a instância que estabelece a ligação entre o individual e o coletivo. Neste âmbito, emerge como um conceito que vai além dos indivíduos que o compõem. Como elementos centrais da definição de um grupo, pode-se destacar a interdependência funcional entre os seus membros, a partilha de um objetivo comum e a existência de papéis e normas.

Um dos teóricos mais influentes para o estudo dos grupos foi Kurt Lewin, que instituiu o termo "Teoria de Campo", porque entende que o ser humano age num mundo de forças (vetores) com cargas (valências) positivas ou negativas. A Teoria de Campo considera que não se pode compreender o comportamento do indivíduo sem se considerar os fatores externos e internos à pessoa, uma vez que estes interagem na determinação desse comportamento. Lewin foi ainda um dos criadores da Teoria da Dinâmica dos Grupos, que procura analisar, do ponto de vista interindividual, as estruturas do grupo, como o poder, a liderança e a comunicação.

Mas, afinal, o que vem a ser a dinâmica de grupo? A partir do momento que temos três ou mais pessoas se comunicando e trocando informações podemos dizer que elas estão se movimentando, aprendendo, e se há uma interação há a dinâmica. A dinâmica de um grupo é o seu movimento, e a vida deste grupo é a inter-relação entre os participantes.

Participamos e coordenamos vários grupos ao longo da vida: na escola, em casa, no trabalho... Cada grupo tem um objetivo e dinâmica próprios. Veja um exemplo: em um grupo de amigos que se encontra num sábado à noite, o objetivo maior é se divertir, trocar idéias, enfim, passar um tempo agradável ao lado de pessoas que se gosta. Por outro lado, em um processo de seleção a dinâmica é utilizada para identificar comportamentos que não passíveis de serem identificados em testes, como liderança, capacidade para atuar em equipe, entre outras competências comportamentais. Tudo depende da vaga e do que a empresa quer do candidato.

A dinâmica de grupo é usada como ferramenta com fins de aprendizagem nos Estados Unidos desde 1950. No Brasil, imagina-se que ela começou a ser utilizada em escolas e empresas na década de 70, mas não há dados que comprovem isso.

A partir de agora, você conhecerá um pouco mais sobre a finalidade, as etapas e curiosidades sobre a dinâmica de grupo como ferramenta em processos seletivos e também em treinamentos.

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Dinâmica de Grupo para Processo Seletivo
Empregos .com

ENCE – escola nacional de ciências estatísticas-Dinâmica de Grupo para Processo Seletivo

Nos processos seletivos, as dinâmicas de grupo são atividades lúdicas com objetivo de descontrair, desarmar os candidatos a uma vaga, para que, então, o profissional que estiver selecionando possa conhecer melhor os participantes. Nas brincadeiras, as pessoas deixam transparecer suas características pessoais e, portanto, é possível saber quem é empreendedor, metódico, ágil ou criativo. Também se nota, com facilidade, quem tem dificuldade em trabalhar em equipe, o que não é interessante para os dias de hoje. Não existe o melhor ou pior candidato no desenvolvimento de uma dinâmica de grupo, e sim, aquele que tem o perfil mais adequado à vaga, analisado a partir de sua participação durante a atividade.

Dicas para atingir um desempenho satisfatório:

controle sua ansiedade, manter a tranqüilidade ajuda em quase todas as situações;

Evite falar em excesso ou impedir que os outros também participem;

Vista-se discretamente, a apresentação pessoal é muito importante. São indicadas roupas confortáveis, uma vez que a tarefa pode exigir que o participante sente-se no chão. As mulheres devem evitar os decotes e as saias justas e curtas, e os homens, o jeans. Estes devem dar preferência às camisas de manga longa. Lembre-se que para cada lugar devemos vestir um tipo de roupa;

Seja claro e objetivo ao expor suas idéias. Caso peçam para listar suas qualidades e defeitos, faça-o de maneira equilibrada. Evite elogiar-se demais ou mentir;

Aja com naturalidade, os comentários preconceituosos e as ironias não caem bem...

Boa sorte!

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Dinâmica de grupo sem segredos

Publicada em: 05/01/2005
JORNAL EXTRA - RJ - 12.12.2004

Uma das frases que a mãe de Fábio, nosso intrépido trabalhador em busca de uma oportunidade, sempre diz é: "Não perca a esperança". Seguindo esse conselho, o jovem leitor da coluna "Eu chego lá" não se abateu com a reprovação na primeira entrevista e resolveu: "Vou continuar encaminhando meu currículo até ser chamado novamente".

A persistência e o pensamento positivo deram certo. Na última semana, ele recebeu a ligação de uma consultora de recursos humanos convocando-o para uma dinâmica de grupo. Mesmo com vergonha de perguntar do que se tratava, topou na hora. "Vou juntar tudo o que aprendi nas colunas e me preparar até o dia da seleção. Dessa vez eu passo", concluiu. Se a dúvida de Fábio também for a sua, a consultora do GRUPO FOCO, Eliane Zerpini explica:

"A dinâmica de grupo é um jogo no qual são selecionadas atividades lúdicas (brincadeiras) para analisar as características individuais dos candidatos, bem como suas atuações em equipe. A dinâmica é dividida em uma etapa de apresentação individual, para descontrair os candidatos, uma atividade em grupo e o encerramento. Para ser aprovado, não existe uma fórmula, mesmo porque seu objetivo é caçar o perfil buscado pela empresa.

Mesmo assim, algumas orientações são válidas. Jamais tente representar personagens. Procure ser o mais natural possível. Respeite o limite do outro. Exponha o que você pensa, mas sem impor. Muitas dinâmicas exigem movimentos como sentar, ajoelhar, subir em algum lugar. Evite saias, roupas muito apertadas e decotadas. Cuidado com as gírias e os erros de português. Tudo isso será avaliado."

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10 mandamentos da dinâmica de grupo
Por Clarissa Janini

Um dos recursos mais utilizados em seleções de emprego na atualidade, a dinâmica de grupo visa avaliar como o candidato se relaciona com outras pessoas e se suas atitudes durante o processo se adequam ao perfil da empresa e da vaga oferecida.

Mas não é fácil ter sucesso em um procedimento com tantas exigências: desinibição, criatividade, pró-atividade...“A dinâmica é um instrumento muito poderoso, e que, por isso mesmo, deve ser aplicado com muito bom senso, profissionalismo, planejamento e sensibilidade”, acredita Floriano Serra, psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, autor do livro A Terceira Inteligência (Butterfly Editora) e colunista do Empregos.com.br.

Abaixo você encontra dez dicas preciosas, elaboradas por especialistas da área de RH e consultoria de carreira, para que sua atuação em dinâmicas de grupo seja bem lembrada pelos recrutadores.

Prepare-se muito bem
Antes do momento da dinâmica, lembre-se de checar alguns pontos, como:

  • “Na noite anterior, antes de dormir, repasse seu currículo e a forma como você irá se apresentar” – Regina Silva, sócia-diretora do Instituto Gyraser.
  • “Esteja muito bem informado sobre a empresa. ‘Fuce’ o site, descubra quem são os concorrentes, em que posição está no mercado” – Carla Dalla Zanna, consultora da Marcondes & Consultores Associados.
  • “Chegue um pouco antes ao local para evitar aumentar sua ansiedade” – Regina Silva

Cuide da sua imagem
Uma boa apresentação começa no vestuário. Siga as dicas do consultor e coach em marketing pessoal Sílvio Celestino:

  • “Roupa e imagem têm de transmitir credibilidade. Uma boa dica é basear-se no vestuário de apresentadores de telejornal, como da Globo ou GloboNews. Eles possuem um departamento específico que estuda a melhor maneira de se vestir no ambiente de trabalho”;
  • “As mulheres devem tomar um certo cuidado, pois devem transmitir credibilidade e não sensualidade”;
  • “É fato que o sapato revela muito sobre a aparência da pessoa, e os recrutadores reparam nisso. Portanto, o calçado deve estar sempre impecável, parecendo novo”.

Seja honesto e protagonista
Ser você mesmo é o principal conselho de todos os especialistas ouvidos pelo Empregos.com.br.

  • “O mais importante é sempre falar a verdade, fruto da sua própria experiência. Você deve ser responsável por tudo o que acontecer, usar de protagonismo. Se algo não der certo, não se faça de vítima e assuma suas atitudes. Uma frase de que gosto muito, de Allan Katcher, autor de Gerenciando suas Forças, é ‘Seja quem você é e jamais lamente não ser quem você não é’” – Carla Dalla Zanna
  • “Seja você mesmo, pois os profissionais que estão recrutando têm um perfil que você não conhece. Se você tentar ser o que não é, terá dois problemas: poderá ser selecionado e cobrado pelo que demonstrou na dinâmica ou poderá perder a posição por não ter o perfil que eles estavam selecionando” – Regina Silva

Seja líder, não ditador
Espírito de liderança é algo que todos os recrutadores procuram nos candidatos. Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não confundir liderança com autoritarismo.

  • “Na medida do possível, tente liderar a dinâmica, mostrar-se pró-ativo. Porém, se você e outra pessoa entrarem em alguma disputa pela posição de líder, deixe-a com o cargo. Isso mostra que você deseja que a atividade ande para frente e, ao mesmo tempo, o torna o próprio líder, pois é como se você tivesse delegado a tarefa ao outro”. – Sílvio Celestino

Aja de acordo com o perfil da dinâmica
Cada vaga e empresa têm características distintas – você deve estar atento para agir, na dinâmica, de acordo com o cargo almejado.

  • “Lembre-se de que cada dinâmica tem um perfil diferente. Mesmo que a forma de apresentação seja similar à de outra empresa, o perfil a ser selecionado é diferente” – Regina Silva
  • “Esteja voltado para o propósito da dinâmica, assuma o personagem que o processo pede. É preciso estar bastante concentrado, saiba ouvir e falar na hora certa” – Silvio Celestino

Bom humor é fundamental
Medo e insegurança podem muitas vezes acompanhar o candidato durante o processo. Driblar esses obstáculos com humor pode fazer a diferença nos resultados.

  • “O bom humor deve estar sempre presente na dinâmica de grupo, até para ajudar a evitar ou minimizar a natural tensão, comum a toda situação competitiva. No entanto, se por um lado a dinâmica deve manter um clima e um contexto necessariamente lúdico, por outro não deve jamais ser conduzida como brincadeira inconseqüente ou como diversão dos facilitadores.” – Floriano Serra

Tenha clareza ao falar
Saber expressar-se é fundamental para ser bem compreendido e bem visto pelos recrutadores.

  • “O candidato precisa ter desenvoltura, clareza e boa comunicação, sem ser prolixo. Explanar direito suas idéias não é falar difícil, e sim ter clareza e dicção. O uso de gírias não é nada adequado, claro” – Aparecida Fonseca de Carvalho, coordenadora de Recursos Humanos da TMKT.

Não exagere na auto-promoção
Exibicionismos não são nada bem-vindos durante o processo.

  • “Ao falar de si, você deve discorrer sobre suas competências técnicas, somente. As habilidades comportamentais já estão sendo observadas de acordo com suas atitudes” – Carla Dalla Zanna

Cuidado com a sedução
“Jeitinho brasileiro” e manipulação só contam pontos negativos.

  • “Ser pró-ativo não significa ser falante e usar de sedução. O recrutador tem capacidade para ler os sinais que a pessoa envia. Você deve ser agradável, mas não político, usando de manipulação para convencer os outros” – Carla Dalla Zanna


Mantenha a auto-estima intacta ao término do processo

Independentemente do resultado, esteja certo de que a experiência foi positiva para você.

  • “Após uma dinâmica – e, de resto, após qualquer processo seletivo – não há vencidos e vencedores, ganhadores e perdedores, melhores nem piores. O que todo processo seletivo visa é identificar o candidato que possua um perfil pessoal e profissional mais próximo e adequado ao perfil da vaga que se busca preencher. Um candidato que não ganhe a vaga pode ter o perfil ideal para outra, na mesma ou em outra empresa. Isso deve ficar muito claro para que nenhum candidato saia do processo com sua auto-estima abalada” – Floriano Serra.

Avaliação Psicológica e Dinâmica de Grupo

A preocupação quando vamos participar de um processo seletivo, vem de um sentimento muito natural: as pessoas não gostam de se expor, saem de suas zonas de conforto, sentem-se inseguras. Uma boa parte do receio está relacionada ao fato de termos poucos dados a respeito do que vai acontecer.

Uma coisa é verdadeira: quanto mais conhecemos a respeito de algum assunto, mais confortável nos sentimos.

Assim, vamos procurar desvendar alguns "mistérios" em seleção. Um deles é a famosa Avaliação Psicológica, outro é a Dinâmica de Grupo.

O que são esses processos?

A Avaliação Psicológica é um instrumento a mais dentro do processo de seleção. Sabemos que uma seleção criteriosa e bem feita, é uma garantia maior tanto para o candidato como para a empresa. Hoje em dia a relação de trabalho é muito mais que um emprego: é uma relação estreita de parceria, onde os dois lados precisam se sentir contemplados.

O candidato quer saber se suas aspirações, competências e conhecimentos terão espaço para aparecer e se desenvolver. A empresa quer saber se o candidato tem recursos para se integrar, contribuir, partilhar e conseguir sintonia com suas necessidades e expectativas.

Através de testes, de inteligência, de aptidões e de personalidade, associados a uma entrevista pessoal, o psicólogo terá condições para conhecer melhor o perfil do candidato e compará-lo com o perfil do cargo, fazendo um prognóstico de desempenho.

Ir para uma avaliação é diferente de ir para uma prova. Não serão medidos conhecimentos específicos. A tranqüilidade, o descanso e a vontade são os requisitos básicos. O candidato só vai ser "desafiado" em coisas que fazem parte dele: sua atenção, sua disposição para conversar, seu raciocínio, sua naturalidade, sua forma habitual de agir no relacionamento e nas diferentes situações.

Sabemos que cada Ser Humano é único, que não há duas pessoas iguais. O que a avaliação psicológica visa é identificar o modo de ser de cada um, para ajudar a empresa a escolher aquela pessoa que tem melhores condições de se adaptar ao seu ambiente. Não há aprovação ou reprovação no processo, as conclusões reforçam apenas o grau de sintonia das características individuais em relação ao que a empresa está buscando.

Durante o processo, principalmente no momento da entrevista, o candidato tem direito de tirar suas dúvidas, de perguntar o que não entende, de querer saber a razão das coisas. A entrevista pode ser um espaço agradável para que haja uma troca de informações, principalmente para que o candidato peça os esclarecimentos que julgar necessários para tirar o "ar de mistério" da situação.

A Dinâmica de Grupo é também um instrumento a mais, na busca de maior garantia de acerto no processo seletivo. Enquanto a avaliação psicológica é um momento mais individual, a dinâmica é o momento de reunir as pessoas candidatas em um mesmo grupo, para poder facilitar, ao selecionador, a comparação entre os participantes.

Na Dinâmica se busca reproduzir um pouco da situação do dia a dia, com exercícios e discussões de casos, permitindo a observação de comportamentos e da participação individual em um grupo.

Há alguns critérios de avaliação, sempre baseados no perfil desejado para o cargo. Nos processos modernos de dinâmica, procura-se criar um ambiente agradável, não pressionador pois sabemos que quanto mais receptivo for o ambiente, mais as pessoas ficam à vontade e tem espaço para serem autênticas.

É importante que os participantes saibam que as empresas valorizam muito a autenticidade e a transparência, pois sabem que pessoas tolhidas e pressionadas são menos criativas e menos espontâneas. Neste sentido, os exercícios estruturados não vão submeter as pessoas a situações limites, mas visam mais compor uma situação que permita a cada um, mostrar o melhor de si.

É interessante a constatação de que estamos sempre sendo observados nas empresas, no ambiente social, na vida. A única diferença é que, durante uma dinâmica de grupo, isto é explícito.

Podemos considerar que o maior presente que alguém pode receber, ao participar de uma dinâmica, é a oportunidade do autoconhecimento. Cada um tem a chance de se perceber, identificar como se conduz em grupo, no que está bem e no que pode aprimorar.

Esperamos ter contribuído para desmistificar um pouco esses processos, deixando uma mensagem de valorização do Ser Humano, que tem direito a todas as informações que possam contribuir para um melhor bem estar, mesmo perante um processo seletivo.

» Tatiana Wernikoff – Psicóloga
IPO - Instituto de Psicologia Organizacional

Data da publicação: 02/05/2005

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A dinâmica que conta pontos para a seleção
Por: Por Sara Barnuevo


Mais uma etapa a enfrentar na seleção por uma vaga de trabalho. Desta vez é a dinâmica de grupo, processo que exige muito preparo e que pode desclassificar o candidato que não souber se conduzir no grupo.

Essencial na seleção, a dinâmica serve para identificar o comportamento das pessoas submetidas a um mesmo ambiente e a uma determinada situação.

De acordo com a consultora organizacional Jacqueline Cerqueira, a dinâmica de grupo permite uma visão geral, fornecendo mais subsídios para que o selecionador faça a escolha certa do candidato. “Só a entrevista não permite que se chegue à imagem correta do candidato, daí a necessidade de outros instrumentos, a exemplo da dinâmica de grupo”, frisa.

É bom saber que não há como se preparar para uma dinâmica de grupo, apesar de ser possível seguir algumas dicas para melhorar a performance durante o processo. Lembre que o que será analisado é o seu comportamento e posição diante de uma situação teste.

ESPONTANEIDADE - Para Jacqueline, que é diretora da Holos Crescimento Humano e Organizacional, o mais importante é ser espontâneo e verdadeiro. “Não aconselho frequentar cursos preparatórios para processos seletivos, pois o candidato fica mecânico, programado e um bom selecionador percebe que ele não está sendo espontâneo”, destaca a consultora.

Outra dica importante é reservar um bom tempo para o processo. Geralmente, a dinâmica de grupo é mais longa que as outras etapas da seleção, podendo consumir entre duas e quatro horas. Lembre que todas as suas atitudes serão avaliadas, desde o momento em que você chega na empresa até a hora de ir embora, além do seu comportamento diante dos outros participantes.

Durante o processo, o selecionador vai tentar delinear seu perfil, descobrir como você se relaciona com superiores, colegas e subordinados, sua maturidade e senso de responsabilidade, discrição, capacidade de liderança, aptidão para relações humanas e trabalho em equipe, aparência, limpeza e expressão facial.

Sua personalidade também será analisada. O objetivo é medir sua autoconfiança, vivacidade, compreensão e raciocínio, fluência verbal, equilíbrio emocional, simpatia e até a educação doméstica.

PASSAR A CHUVA - Durante a dinâmica o candidato é convidado a realizar jogos ou passar por uma dramatização. Daí ser fundamental ter jogo de cintura para lidar com imprevistos e saber improvisar.

De acordo com a consultora, a depender do cargo pleiteado, o candidato pode ser submetido a técnicas diferenciadas, que vão desde uma atividade para “quebrar o gelo” entre todos os envolvidos até simulações.

“Só não acho válido usar perguntas capciosas para tentar ver o raciocínio do candidato, porque essa técnica não mede nada, deixa apenas a pessoa apreensiva”, destaca Jacqueline.

Segundo a consultora, é importante que o grupo de candidatos seja informado da natureza do exercício e conscientizado da sua importância e seriedade.

“Naturalmente que não cabe fazer exposição sobre os jogos e simulações, mas apenas prevenir o grupo quanto à dinâmica do processo”, enfatiza, acrescentando que também se deve esclarecer que, nos casos de dramatização, o fundamental não é representar bem, mas “sentir e viver” o papel simulado com a maior espontaneidade possível.

O objetivo dos esclarecimentos, adianta Jacqueline, é reduzir a possível ansiedade do grupo diante de uma experiência desconhecida.

Também é importante que o candidato seja honesto com ele mesmo. Não querer a vaga apenas para “passar a chuva” e pagar as contas, pois esse imediatismo pode ser percebido por um bom selecionador, esclarece a diretora da Holos.

“É comum ver candidatos que vão para a seleção, mas que transparecem que não é isso que querem. É bom lembrar que não só ele está perdendo tempo, mas também a empresa”, frisa Jacqueline, que também é educadora do Sebrae-Bahia.

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Dinâmica de grupo
LABOR CONSULTORIA

Um recurso muito usado pelas empresas na hora da contratação é a dinâmica de grupo, um meio de otimizar a seleção de um ou mais candidatos, e que aterroriza algumas pessoas mais do que a própria entrevista.

Esse método vem sendo muito utilizado ultimamente devido à mudança de postura das empresas e corporações. "O conceito de individualidade, daquele profissional que trabalha sozinho e não se relaciona com o colega de trabalho, está sendo deixado de lado pelas empresas. Elas valorizam o relacionamento, e querem alguém que saiba cooperar e trabalhar em grupo.

Na dinâmica de grupo são apresentadas situações em que os candidatos devem tomar decisões como se estivessem no ambiente de trabalho. Também avalia a interação grupal, e como os candidatos se portam diante de situações profissionais práticas.

Para o facilitador da dinâmica, o que importa é o rápido entendimento das situações, o desenvolvimento das idéias no grupo, e, principalmente, o jogo de cintura.

Metodologia:

- Quebra-Gelo
- Exercícios diversos (modificados com frequência)
- Simulação de Vendas
- Estudo de Casos

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Dinâmica em grupo

Fórmula não existe. Até porque, nessa hora, a empresa vai direto ao ponto: se está selecionando alguém para trabalhar com um diretor que é grosseiro, vai optar por candidatos que demonstrem ter sangue de barata. Mas o candidato pode, e deve, se preparar para a dinâmica de grupo, a fase mais temida dos processos de seleção. Para começar, segundo consultores de RH, o discurso de apresentação tem de ser ensaiado. Afinal, o aspirante à vaga vai precisar, em um minuto, justificar por que merece o emprego.

Além disso, contam pontos: participar bastante (quem é muito tímido pode procurar um curso, onde fará vários tipos de dinâmica); ter autocontrole (para quem costuma se exaltar, existem cursos de relações humanas que sugerem como lidar com pessoas); e ter uma boa dicção (também existem profissionais especializados que podem ajudar). É importante ainda ler jornais e revistas para melhorar a capacidade de argumentação e informar-se a respeito da história e da atuação da empresa.

A estudante de jornalismo Juliana Chagas, de 20 anos, conta que já participou de cinco dinâmicas de grupo. Foi aprovada em uma delas:

— Não dava certo e, na vez seguinte, tentava agir de forma diferente. Uma vez participei bastante, noutra fiz poucas intervenções. O fato é que não dá para dizer o que estava errado. Não fico nervosa, sou muito falante e descontraída. Talvez eu tivesse que ter uma postura mais séria, mais formal...

As dinâmicas de grupo costumam ter entre dez e 15 participantes e são usadas pelas empresas para fazer uma pré-seleção inicial, quando há muitos candidatos. Cada participante deve fazer uma apresentação de 60 segundos sobre ele mesmo. É recomendável preparar um pequeno texto, apresentando suas qualificações de maneira sucinta.

— Há gente muito ingênua que diz seu nome, idade, sua formação e... pronto: acabou o tempo e o candidato não destacou nada que faça com que aquela empresa queira contratá-lo. Ele tem que estar preparado para se “vender”, sem ser arrogante — diz a vice-presidente executiva da Divisão de Consultoria do Grupo Catho, Silvana Catho.

Existem várias maneiras de se organizar esta fase do processo seletivo. A mais tradicional é a feita por meio de um bate-papo entre os candidatos e os selecionadores. Mas existe também a técnica da dramatização: o grupo recebe um problema e deve buscar resultados. O objetivo é medir os conhecimentos gerais dos candidatos, avaliar o comportamento deles diante do público e, principalmente, a capacidade de improvisar sob pressão.

— O exercício pode até nem ter uma resposta absoluta ou solução. O que a empresa quer ver é como os candidatos lidam com pessoas. Seja para a função que for, educação e respeito pelo outro serão sempre analisados, assim como cooperação, autocontrole e linguagem. É importante se expressar com um mínimo de formalidade — diz Moema de Aquino, diretora da Solução RH.

O psicólogo José Ricardo Montenegro, que ministra o curso de dinâmica de grupo na Fundação Mudes, explica que um profissional direcionará a dinâmica e outro ficará encarregado de avaliar o desempenho dos candidatos:

— Nesta etapa, o avaliador selecionará pessoas que tenham o perfil universal e, a partir daí, o específico. Isto é, primeiro ele elimina candidatos que demonstrem agressividade e excesso de timidez, optando por quem tenha coerência de pensamento e poder de persuasão. Então, ele começa a procurar alguém com características especiais para a vaga de que dispõe. Se for para trabalhar com um diretor autoritário, por exemplo, ele precisa de alguém que suporte muita pressão.

Os consultores destacam, no entanto, que participar não significa falar muito:

— Quem fala muito acaba sendo inconveniente e em algum momento fala besteira. Mesmo que o candidato seja tímido, se estiver preparado vai transmitir segurança. E é isso que importa — diz Silvana

Catho.

Fonte: O Globo - RJ | 06.02.05

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